28 de julho de 2021
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O resto do mundo sabe tão pouco sobre eles que nem sequer lhes deu um nome próprio. Os estudiosos os chamam de indígenas isolados que vivem no alto do curso do rio Humaitá. Habitam um dos lugares mais remotos do planeta e até agora esse grupo de indígenas brasileiros preferiu ficar sozinho, sem contato com outros povos ou com brancos. Mas há algumas semanas um deles chegou à aldeia Terra Nova, na Amazônia. A coisa mais extraordinária aconteceu no dia seguinte.

O visitante não apenas se aproximou dos moradores da aldeia, mas também passou a noite na casa de um deles. Sabemos disso porque os anfitriões também são indígenas, mas têm contato com forasteiros; são de outro grupo, falam uma língua diferente. O cacique local, Cazuza Kulina, relatou a visita a uma jornalista do portal G1. “Demos a ele roupas, cobertores, utensílios, mandioca, banana… dormiu na casa do meu genro”, explicou este indígena da etnia Kulina Madiha. Quando se levantaram, o visitante havia desaparecido. “Ele pegou tudo e foi embora, nem o vimos sair.”

No dia seguinte, alguns pescadores da aldeia tiveram uma grande surpresa ao se depararem com mais de uma dezena de “brabos”, como os indígenas chamam esses vizinhos que até agora preferiam viver sem contato com estranhos. Estavam procurando aquele que veio antes. “Eram mulheres, crianças, homens adultos… Depois foram pelo rio até sua aldeia”, disse o cacique. Levaram mais objetos, incluindo garrafas e pedaços de vidro para cortar os cabelos. “Vivem isolados a cerca de quatro horas daqui, são gente boa, não mexem conosco”. Estavam todos desarmados, nus.

Os visitantes pertencem a um grupo do qual se tinha notícia desde 2008, quando foram descobertos durante um voo sobre esta região do Acre, na fronteira com o Peru. Atacaram a aeronave com flechas. Há quatro anos, o fotógrafo Ricardo Stuckert sobrevoava essa região do estado do Acre, na fronteira com o Peru, quando inesperadamente avistou alguns deles e conseguiu fotografá-los do helicóptero.

Aventurar-se a entrar em contato com outros implica sempre um enorme risco para os poucos indígenas que ainda vivem como seus ancestrais quando os portugueses conquistaram o Brasil há cinco séculos. A inusual visita aconteceu em plena pandemia do coronavírus, que atinge fortemente a Amazônia, pois um dos moradores da aldeia teve sintomas de resfriado, o que alarmou especialistas e ativistas. Se estivesse infectado, todo o grupo correria o risco de ser dizimado.

Fonte: El País

Redação Redação

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